Burnout da liberdade

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    Burnout da liberdade

    De repente, eu tive tempo para fazer o que eu quisesse! Foi uma explosão de sentimentos e liberdade. Passei a curtir uma rotina diferente me permitindo fazer coisas que eu sempre tinha vontade quando me via sob o stress da semana.

    Liberdade no início da minha transição de carreira

    A liberdade que eu conquistei no começo da minha transição de carreira me permitiu vivenciar certas coisas que antes estavam absolutamente fora de cogitação, como:

    • ir à academia depois das 8h e me alongar com bastante calma (sempre fui às 6h ou 20h)
    • ter minha caixa de e-mails sempre em dia (passei a receber semanalmente a quantidade de mensagens que eu recebia em uma hora)
    • ler um livro por semana, mais ou menos (já não lia um livro há muito tempo)
    • ter disponibilidade para aceitar qualquer compromisso para a mesma semana.
    • poder cuidar da minha casa e dar mais atenção para as pessoas que amo.
    • ir ao cabelereiro e manicure no meio da tarde.
    • frequentar a piscina do prédio para tomar um solzinho matinal no meio da semana e bater papo com as vizinhas que eu mal conhecia.
    • assistir a um bom filme no meio da tarde.

    Isso tudo aconteceu durante algumas semanas depois que eu saí do mundo corporativo, em que ocupava uma posição de diretoria há muitos anos. Minha empresa já estava criada junto com minhas sócias queridas, mas o site não estava pronto, as definições de produto também só evoluíram meses depois. Então, eu tive um respiro! Que durou pouco.

    Mas, me lembro como se fosse hoje de uma conversa que tive com um colega que cursou comigo o AMP – Advanced Managing Programa do IESE Business School da Universidade de Navarra. Um cara que eu admiro muito e havia feito sua transição de carreira de uma posição c-level para empreender antes de mim. Ele me disse uma coisa que não entendi claramente naquele momento:

    “Tome muito cuidado agora. Nesta fase em que você está, eu tive um burnout.”

    Como assim? Eu era livre, totalmente livre. Poderia fazer tudo o que eu quisesse, na hora que eu quisesse, como eu quisesse! Dona absoluta do meu tempo! Como eu poderia me estressar com isso?

    Ainda bem que ele me disse aquilo. Embora eu não tenha entendido, o alerta ficou presente na minha mente.

    Qual era a armadilha?

    A liberdade te permite abraçar o mundo.

    Logo depois que matei a vontade de viver o ócio uma vez na vida, a Unblur passou a depender do nosso ritmo e comecei a entupir minha agenda de coisas que achava importantes para o negócio: leituras, cursos, pesquisas, contatos, reuniões de trabalho, reuniões de prospecção, mentorias, eventos e etc. Afinal, eu decidi empreender!

    Rapidamente, reassumi o ritmo que eu levava antes.

    A empresa já tinha custos incorrendo todo mês e precisava faturar. Mas, isso era a maior desculpa de todas. Percebi que, na verdade, antes eu levava a vida que queria levar. Eu permitia que fosse estressante e corrida. Eu estava naquela posição porque queria, nunca ninguém me obrigou a ser diretora de uma multinacional e assumir tantas responsabilidades. E na minha transição de carreira foi o mesmo. Ninguém me obrigou a empreender!

    Quando menos esperava, quase tive um burnout!

    Me senti esgotada, sobrecarregada e frustrada porque não dava conta de tudo. Mas, “tudo” o que? Tudo o que eu queria fazer! E por quê?

    Acabei descobrindo que para algumas pessoas, manter um ritmo acelerando no dia a dia gera uma dependência psicológica. É como se você só tivesse valor ou fosse importante se estiver ocupado, realizando muitas coisas ao mesmo tempo. Eu sou uma dessas pessoas!

    Minha automotivação e vontade de progredir me tornam uma pessoa muito ativa, mas algumas vezes, sem limites. E, tudo tem seu preço e também seus motivos.

    Na realidade, eu sempre fui livre, todos nós somos. Temos o livre arbítrio para fazer nossas escolhas. E passamos anos nos queixando da falta de tempo como se não houvesse nada sob nosso controle. Mas, há.

    Muita coisa está sob nosso controle e só me dei conta disso quando não havia mais a quem atribuir a culpa da minha falta de tempo, senão a mim mesma.

    De diferentes dores emocionais que sinto causadas por alimentar um sabotador hiperrealizador, sempre encontro os mesmos remédios:

    • buscar clareza do que realmente é importante para mim e usar isso como referência para priorizar as coisas que tenho a fazer.
    • refletir sobre o que está sob o meu controle e agir conscientemente.
    • aceitar o que não está sob meu controle e aprender a lidar com isso.
    • ter sempre em mente que tudo na vida, absolutamente tudo, pode ter uma perspectiva positiva. Desenvolver essa visão é uma questão de treino.

    Se você leu até aqui, te convido AGORA a refletir sobre quais atitudes suas irão tornar seu dia mais bem vivido e menos estressante, sem ter a ilusão de que sua qualidade de vida não depende de você. 

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